sexta-feira, 7 de maio de 2010

Para os que usam as mortes na Grécia...

Acabei de ouvir sobre os terríveis eventos e estou chocado. Eu acho que é muito bom que o [Blog] After the Greek Riots honre os três mortos e publique a retratação.

Para todas as pessoas, especialmente aquelas que comentam aqui, que usam a morte de três seres humanos para dar vazão aos seus discursos de ódio contra anarquistas, perguntem a si mesmas o seguinte: você já reagiu dessa maneira quando algum imigrante é espancado ou/e até mesmo assassinado pela polícia de Atenas? Você já reagiu assim quando outra dezena ou centena de civis morrem no Iraque, ou Afeganistão ou em qualquer outro lugar desse mundo? Você posta comentários cheios de ódio nas páginas da mídia oficial, pelas dezenas de centenas de pessoas que são mortas por um sistema de poder global econômico irracional em uma contagem diária?
Não? Então talvez você devesse calar a boca e começar a pensar... A não ser que realmente aprove o estado que o mundo se encontra, pois isso lhe proporciona uma TV colorida, um carro, casa própria e bananas baratas. E tudo isso somente pelo preço de ter que olhar para todos os seres humanos como competidores e ameaças em potencial!

Para todos os anarquistas e camaradas de esquerda radicais:

Enquanto não sabemos quem atirou o molotov, devemos definitivamente lutar contra a campanha midiática e política que aponta o dedo ao povo que luta contra sua miséria, devemos também ser bravos o suficiente para admitir que possivelmente foi "um de nós".
Todos os que estão envolvidos em lutas militantes de massa sabem que sempre há a possibilidade de uma tragédia como essa acontecer. Desde que não somos um partido nem qualquer tipo de instituição - e uma revolta popular nunca vai ser - não podemos nunca controlar totalmente a situação. Qualquer um pode causar esse tipo de dano com uma demonstração violenta: agentes de polícia provocadores, fascistas, hooligans, cidadão raivosos ou anarquistas de cabeça quente.

Mesmo que isso tenha sido feito por agentes do Estado ou das classes de cima, nós como anarquistas propiciamos o meio necessário! Não vamos negar isso. Exatamente porque aprendemos enquanto lutamos, exatamente por não querermos ser como um partido, como o Estado e as classes dominantes, como os fascistas, temos que ser honestos, humanos, autocríticos e ainda assim determinados.

Então, é tempo de pensar no que podemos fazer para minimizar o risco e prevenir os danos e até, como agora tragicamente aconteceu, a morte de pessoas não envolvidas.
Enquanto para mim está tudo bem em usar molotovs contra a polícia ou em ações planejadas, deve haver um consenso de não usá-los contra prédios nos quais:

a) Possam haver pessoas;

b) O fogo possa se espalhar para outros edifícios que não tem a ver, como casas residenciais. E todos sabemos que lojas com apartamentos residenciais em cima são atacadas em ações na Grécia hoje e sempre;

Atacar um banco, a loja de uma grande companhia, etc.; é sempre um ato simbólico e deve ser encarado como tal.

Usem pedras, tintas, entrem e destruam tudo se houver a possibilidade. Se usarmos fogo, não podemos controlar o desenrolar, e a mídia e os políticos ficarão felizes em poderem nos retratar como hooligans psicopatas e o simbolismo é o mesmo de qualquer maneira.

Juntar a isso o poder do fogo não vale arriscar a integridade de seres humanos.

Dito isso, toda a minha solidariedade vai aos amigos e camaradas anarquistas e de esquerda radicais na Grécia e todas as pessoas em qualquer lugar que lutam por um mundo livre do capitalismo e cheio de cooperação mútua, no qual a liberdade individual e coletiva são uma só, repletas de vida para todos, é o objetivo da sociedade!

L.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Para Alberto:

Meu caro amigo, achei o pedaço da música que queria lhe falar aquele dia:

"Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém...

Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer!
A vida é muito pior..."

Belchior - Apenas um rapaz latino-americano.


Alberto, um grande abraço, cada vez que te reencontro, é uma grande alegria!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

E tem...

... nova postagem no Peplo!

É a tradução de um artigo do Jesus Manifesto.


Leiam!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Redenção

Porra, que vontade. De beber, cair a noite carreira adentro, ao longo da longa linha branca da lateral do campo. Vontade de sentar num bar, pedir uma boa cerveja e uma dose de whisky (duas pedras em um copo baixo!).

Vontade de curtir, fazer o que se deve e o que não se deve, para então deitar e passar uma noite angustiante, agoniante, deitado na cama, rolando de um lado para o outro, suando, pensando, chorando, pedindo a Deus numa agonia estúpida que me deixe são, “só essa vez!”, é o gemido estúpido e patético, não por ser dirigido a um Ente Superior, mas por não agüentar o rojão, por achar que pode. Agonia o acordar kafkiano nas horas seguintes, agonia a sensação de culpa, pecado e erro.

Isso, quando não se passa algum tempo ajoelhado perante o altar do imbecis, a privada. Bom ainda quando é em casa, você sabe quais bundas e pintos passaram por ali, mas se bem que, a essas alturas do porre, que diferença faz onde é, que privada é, pois oras, pra que dignidade? Afinal de contas, ainda é melhor abraçar privadas estranhas e indignas do que amigos que no momento de dificuldade somem, omitem-se, ou pior ainda, são indiferentes. E, mesmo tempos depois, passado os períodos ruins, não conseguem mais ser vistos como “amigos”. Talvez conhecidos, parceiros de algum churrasco inócuo, ou um chopinho sem vergonha e descompromissado, onde não há mais a cumplicidade muda e silenciosa de outrora. Mas também, a roda gira, e como diria o velho Gabo num grito desesperado: “os amigos são todos uns filhos da puta”, afinal de contas. Não fui eu o filho da puta primeiro?

E então, após algumas horas de agitação inconsciente, acorda-se. Se o nariz permite, sente-se o cheiro acre do suor e do álcool velho. Toma-se um banho, esfrega-se com o sabonete uma, duas, três vezes, com shampoo, com força, com agonia. Mas o cheiro persiste e fica, e junto com os olhos embaciados, o maxilar inquieto e os nós dos dedos rebeldes, denuncia a noitada. Noitada essa em que se pensa ser o rei, mas ela tem uma rainha, vestida de branco, que se estica languidamente, e desmanda os seus caprichos.

Cabe a cada um dar o xeque-mate.

Tempos depois, quando já recuperado e fora do circuito, quando batem essas vontades, o raciocínio é mais lógico (ou seria mais emocional, com um real amor-próprio? Há uma separação verdadeira entre razão e emoção?), e a visão é menos turva, e você se enxerga, e enxerga os demais; vê aqueles que te condenavam, que cochichavam seus defeitos e erros a alta voz em rodas de bar; e esses demais estão eles perdidos. Jogando e gastando suas forças criadoras, sua vontade, seu parco dinheiro, em noites intermináveis, longas, por vezes desnecessárias e vazias.
Porém, ao chegar o fim de cada dia, de uma nova vida e uma nova concepção de vivência, havemos de lembrar de Dostoiévski (o velho Fiódor!), e suas palavras finais em Crime e Castigo, quando encontramos Raskólnikov na prisão:

“Ele nem sequer sabia que a vida nova não lhe seria dada gratuitamente, mas que ainda teria de comprá-la caro, pagar por ela uma grande façanha futura...
Mas aqui começa já uma nova história, a história da gradual renovação de um homem, a história do seu trânsito progressivo dum mundo para outro, do seu contato com outra realidade nova, completamente ignorada até ali. Isto poderia constituir o tema duma nova narrativa... mas a nossa presente narrativa termina aqui.”

Se Dostoievski diz que terminou, quem sou eu para contradizer?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Galeano.

Ontem, antes de dormir, me coloquei a ler algumas coisas do Eduardo Galeano. Nas minhas viagens, pensei nesse pequeno texto que segue abaixo.

Entretanto, qual não foi minha surpresa agora ao abrir o blog e dar de cara com isso.

Segue o texto:


"O menino nascera cego, mas enxergava sempre através do pai. Certo dia, lá pelos 11,12 anos, o menino ouvira falar na escola sobre as cores e, curioso como toda criança, chegou em casa e perguntou:
- Pai, o que é amarelo?
O pai, vendo ali uma oportunidade de ensinar, disse ao filho:
- Vamos fazer um piquenique, lá vou lhe ensinar sobre as cores.
Animados, partiram os dois para um bosque nas cercanias da cidade onde moravam. Ao chegar em tal lugar, estenderam uma toalha no chão, em um lugar ensolarado.
- Filho, está sentindo o calor do sol?
- Sim pai!
- Isso é amarelo.
Logo depois, o pai levou o menino até um ribeirão manso que corria ali, e fez o menino entrar na água tépida, que corria preguiçosamente:
- Está sentindo a água? Isso é azul.
Quando saíram do ribeirão, os pés do menino tocaram a grama:
- Sente a grama debaixo dos seus pés filho? Isso é o verde.
Felizes e se sentindo bem, os dois sentaram novamente na toalha e começaram a comer.
- Pai?
- Sim filho?
- E o vermelho pai? Como é?
Após pensar por brevíssimos instantes, o pai responde:
- Dá a mão filho.
O pai pegou o polegar do filho e, com a faca, abriu um pequeno talho no dedo do garoto, que instintivamente puxou a mão para si e, com seus olhos vazios, mirou o pai de maneira inquisitiva:
- Pai! Por que isso?
- Está sentindo o sangue que está saindo de seu dedo?
- Sim pai – o menino mostrava sua tristeza e parecia realmente não entender nada.
- Então filho, isso é vermelho. É do que somos feitos, é a nossa vida. E muitas vezes, para senti-la plenamente, mais do que alegria, é necessário um pouco de dor."

terça-feira, 16 de março de 2010

Muito oportunamente...

... aproveito para dizer que tem postagem nova no Peplo!

:D

Em breve, terá aqui!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Nossa moral a golpes de martelo.

Não sei se todos tem se mantido a par das notícias veiculadas nos jornais aqui de Joinville ultimamente, mas creio que a maioria já ouviu falar de um acontecimento que tem repercutido bastante: o rapaz que matou a mãe a marteladas. Para aqueles que não tem a mínima idéia do que eu estou falando, tem aqui o link de uma das inúmeras reportagens sobre o assunto.
O rapaz em questão é Giovanni Wites Bolzan. Giovanni é um rapaz inteligente, no concurso do BESC de 2004, ele foi o primeiro colocado da Regional Norte. Um feito e tanto! Porém, por motivos que me faltam conhecer (só sei de boatos), ele não passou nem mesmo dos três meses do estágio probatório do banco.
Pode aqui surgir uma dúvida: como eu sei tudo isso? Bom, eu conheço o Giovanni. Não vou dizer agora que agora que somos amigos, mas eu o conheço. Inclusive, creio que ele gostava de mim. Para aqueles que tem uma “vaga impressão” de onde o possam conhecer, refresco a memória: durante alguns anos, Giovanni foi caixa/garçom/faz-tudo do Sandubom, lanchonete que fica na frente da Univille. Lá, eu conheci o Giovanni. Tinha algum contato com ele por ser um cliente assíduo do bar, e por trabalhar no BESC, então, tínhamos alguns motivos para conversas. Talvez eu fosse o cara que mais falava com o Giovanni lá dentro. Ele sempre fez o tipo calado, mas assim que se desse um pouco de atenção, ele buscava algum contato humano.
Agora, algumas peças se encaixam nesse quebra-cabeça surpreendente que é a psique humana. Giovanni era um rapaz simples. Nunca o vi com uma roupa de marca, algum tênis caro; andava sempre de ônibus. Inclusive, quando o encontrava em algum lugar fora do Sandubom, e o cumprimentava, ele demonstrava grande prazer em ser saudado, me passando assim a impressão de que raramente algum cliente do bar se dignava a ser um mínimo educado.
Não pretendo aqui humanizar o Giovanni, nem tentar justificar o ato que dizem que ele cometeu, entretanto, parei pra pensar em algumas coisas. A imprensa sensacionalista tem deitado e rolado em cima do fato, procurando transformar o rapaz em um novo inimigo público número um. Filmam o seu rosto, dando closes desumanos, ajudando no papel de humilhá-lo, expô-lo ao ridículo e ao constrangimento público. Porém, por mais paradoxal que possa parecer o que vou dizer, ainda assim digo: ele parecia ser boa pessoa. Giovanni não dava descontos na cerveja, nem mesmo uma bala de graça, não poderia ser chamado de “gente boa”, mas isso só demonstrava o quão responsável ele era para com seus afazeres. Ele começava a trabalhar as oito da manhã e saia a hora que o bar fechava (sempre depois da meia noite).
Poderia aqui escrever frases e mais frases, parágrafos e mais parágrafos acerca do rapaz, de episódios que me vem a memória; poderia discorrer sobre como ele era solitário, incompreendido, alvo de zombarias e ridicularizado (inclusive por mim mesmo algumas vezes), mas não vou me alongar. Prefiro deixar o questionamento no ar, de o que a solidão pode fazer a uma pessoa. De como, muitas vezes, alguém que convivemos por alguns meses, anos, e que passa por nós de uma maneira quase “imperceptível”, pode ter tanta coisa acumulada dentro de si que deixa estourar de uma maneira absurda e desumana. Como muitas vezes, o nosso egoísmo, ego e vaidade passam como um trator por cima dos outros, das necessidades do próximo, e esses sentimentos destrutivos, vão muito além de ideologias políticas, costumes e religião. John e Paul já diziam a alguns anos atrás: “all you need is love” (tudo o que você precisa é amor), mas prefiro dizer que, tudo o que nos falta, é amor.
Giovanni não apenas matou a mãe a marteladas, ele destruiu também a própria vida. Alguém tem dúvida de como um assassino da própria mãe é tratado dentro da cadeia? Porém, mais do que isso, sentimos a moral da nossa sociedade sendo destruída a golpes de martelo, por não conseguirmos enxergar quando uma pessoa tem necessidades e carências; ou pior, se enxergamos, fazemos de conta que não vemos, e levamos nossas vidas pacatas e patéticas adiante, dentro das nossas zonas de conforto, utilizando-nos dos ópios sociais para anestesiar a nossa consciência, que, por mais sufocada que seja, ainda tenta, nem que seja com gemidos inexprimíveis, nos lembrar que somos seres humanos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

GEIPA

Como já falei no Peplo, eu, muito tatu que sou, esqueci de publicar aqui o próximo encontro do GEIPA (Grupo de Estudo de Idéias e Práticas Anarquistas). Ele é amanhã, mas ainda está em tempo de participar. O material para a reunião pode ser conseguido aqui.

O assunto é bom, mas o palestrante é meia boca, haha! Será divertido, um momento de discussão e aprendizado mútuo. Apareçam!

Maiores informações, no cartaz.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Rodando el mundo!

Meu texto que escrevi no Peplo está ficando famoso. Dois blogs gregos já o publicaram: o do Akeldama, e esse outro aqui, que não tenho a mínima idéia de qual seja o nome, hahaha!

Enfim, esse post é só pra avisar que atualizei o Peplo. Quem ainda não o colocou na sua lista de favoritos, favor se mexer, hehehe...

As coisas têm andado, se movido. Abraços a todos. Logo devo postar algo aqui que não seja auto-propaganda, sério!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Peplo!

Pessoas que aqui lêem;

muitos sabem que tenho (re)descoberto novas perspectivas na minha vida, e me dedicado a estudar o anarcocristianismo. Sendo assim, para não misturar as coisas aqui no blog, estou com um endereço novo, o http://peplozine.blogspot.com.

O Me Gusta el Tango não vai parar de ser atualizado, inclusive, ele vai acabar se fundindo com o Baixo-Ajuda, e meus contos depressivos e histéricos começarão a figurar aqui também, juntamente com demais coisas que me calhem na cabeça.

Pessoas que chegaram até aqui atrás de conteúdo/material anarcocristão, o blog no qual tratarei exclusivamente esse assunto, reforço, é esse: http://peplozine.blogspot.com

Aos meus amigos, peço que leiam esse novo blog também, gostaria muito que lessem, dessem suas opiniões... Seria muito importante pra mim.


Abraços! Que os novos tempos sejam sempre melhores que os que passaram!