terça-feira, 28 de julho de 2009

Revolucionários, reacionários...

Acho Bukowski um escritor do rabo (pra usar palavras dele mesmo). Gosto da sua escrita crua, da sua hipocrisia e sua coragem em assumir a mesma. Meu querido amigo que gosta de uma polêmica/debate, Maikon K., alega não gostar muito do velho Buk por conta do seu posicionamento reacionário. Eu acho que é porque o Bukowski não ia muito com a cara do Ginsberg, queridinho do MK.

Picuinhas à parte, parei para pensar no que pode ser "revolucionário" para alguns e não para outros. No tocante a escritores, enquadro Bukowski, Trevisan e até mesmo Nelson Rodrigues, ouso colocá-los no mesmo barco. Não por conta dos seus escritos, mas pelo perfil "revolucionário" deles.

Espera aí, Nelson Rodrigues, revolucionário? O homem que disse que o marxismo e o Brecht acabaram com o teatro moderno?

Sim, à sua maneira, o ilustre tricolor era revolucionário. Ao escancarar a sociedade carioca e seus podres, assim como fez o genial Dalton Trevisan em relação à sociedade curitiboca, e o velho Buk com o american dream.

Desmontar ideais, conceitos, discursos vigentes... Na humilde opinião desse que vos escreve, é uma postura muito mais radical do que se filiar a um partido e assim colaborar para a manutenção de um status quo, mesmo que do lado "esquerdo".

Vejo os três senhores como pessoas à margem dos dias que viveram, que de uma maneira peculiar souberam traduzir e transmitir os problemas que enxergavam. Concordo que a exploração de pessoas por conta de um mercado consumidor é um problema gravíssimo, mas de nada irá adiantar se não mudarmos os paradigmas morais que já estão enraizados na nossa sociedade.

Nesse ponto, sou obrigado a concordar na crítica do Nelsão em relação ao marxismo. Ou talvez seja aos marxistas, que criticam a Bíblia mas agarram-se ao Capital de forma cega, e pensam somente no econômico.

"Ó geração incrédula!"

7 comentários:

Território Nenhum disse...

Apesar de o Nelson ter sido favorável ao golpe militar de 1964 e ter dito isso que vc cita acerca de Brecht e marxismo, ele foi um fodão é já tem lugar garantido na literatura e dramaturgia nacional.

Maikon K disse...

Tu realmente desejas as minha considerações ¿

Cara, depois que os militares golpistas de 64 se chamaram de revolucionários o que vou reclamar de você usar a titulação para cuzões como Nelson, Charles e Dalton ¿ hehehhe, diz ai, essa foi boa, né?

Olha, tentando responder com seriedade: dentro do léxico marxista existe um significado para o revolucionário, ainda mais se tiver uma leitura extremamente datada no século XIX. O que boa parte dos marxistas que conheço não tem, já que estabelecem diferentes pessoas e membros das classes exploradas como potenciais ou de fato revolucionários. O problema é quando os marxistas são atacados por aqueles que dizem querer a liberdade, à base da crítica é a visão do pensamento marxista do século XIX. Acredito quem em proporção menor o exemplo tbm vale para os anarquistas.

Agora no senso comum a palavra “revolução” é mudar para o melhor logo o revolucionário é aquele que deseja mudar para o melhor. Escrevo isso de acordo com minhas experiências em sala de aula na educação de jovens e adultos e sinceramente, essa balela de universidade do “senso comum” isso e aquilo não têm importância pra mim, já que gosto das considerações do tal senso comum, mesmo não sendo a “ciência” da academia é o que está sendo construído nos pensamentos e nas práticas das pessoas. Mesmo que seja necessário discutir o que “mudar para melhor”.....

Sinceramente, conhecendo os escritos do Dalton e do Charles (do Nelson só conheço as adaptações para a televisão e suas histórias de vida) não existe uma mudança no aspecto coletivo, envolvimento das pessoas e dos seus lugares. É uma mudança (uma revolução¿) na literatura, por trazer novos personagens e novos problemas, isso não discordo de vc, ainda mais quando não estiveram (e está no caso do Dalton) ligado as universidades que geralmente matam as cidades.

As vezes penso que as minhas considerações acerca dos tais escritores são importantes para vc continuar atualizando esse blogue. Hehehe e tbm penso que vc leva esses escritores como deus e seus livros como bíblia. hahahaha

abraço
mk

Filipe Ferrari disse...

Olha...

concordo com 80% do que você falou aqui Mk, ainda mais depois da confissão via msn de que eu mesmo não gostei deste post, haha...

Mas, talvez além da revolução literária, tais autores levem seus leitores a pensar e repensar seus lugares dentro da sociedade. Se eles fizerem isso com uma pessoa pelo menos, já valeu a pena toda sua existência e sua obra.

Quanto às suas considerações sobre os autores, realmente elas são pertinentes para esse blog, não para, não para não!

Agora, a piadinha do último parágrafo foi de mal gosto, ainda mais por conta de que o alvo foi um cristão. O deus de ódio da Antigo Testamento[1] virá em sua carruagem de fogo te pegar.

e Zaia, fodão ele até podia ser, mas o Dalton é bem mais, hehehe (Curitiba Pride!)



1- aprendi que não devemos chamar o Antigo Testamento assim, mas sim de Bíblia Hebraica, pois senão torna-se uma simples aculturação cristã de séculos de história. Entretanto, como o parágrafo era todo uma ironia, resolvi deixar assim :D

Maikon K disse...

Continuando o comentário maior que uma postagem:

A) Buscando informações em profundas pesquisas (hahaha) cheguei ao livro “O rei da vela” do Oswald de Andrade, lançado recentemente pela Editora Globo e encontrado por mim novinho em folha por apenas cinco mangos.
A introdução é escrita por Sábato Magaldi, onde encontrei a afirmação de que o texto de Oswald de Andrade poderia ter sido a “primazia da criação do teatro brasileiro moderno”, mas o texto “O rei da vela” foi censurada por causa da palavra “Amante” (escrito em 1933 e publicado em 1937). Aí, Nelson Rodrigues com seu texto “Vestido de noiva” teve a estréia em 1943.
Então, como Oswald estava mais conectado a realidade da sua época de uma maneira mais atraente a minha visão de mundo registro com todas as letras: Oswald de Andrade é o cara do teatro brasileiro moderno!!! Hahaha

B) Em relação aos comentários de Nelson sobre a obra de Bertold é uma merda sem tamanho. Bertold tem um papel fundamental, mesmo que parte de sua obra parecia uma encomenda do PC, o escritor alemão tem papel fundamental para trazer ao teatro, a poesia e literatura pessoas e elementos nunca antes abordados com tamanha beleza e esperança com os dois pés fincados na realidade daqueles anos.
Importante perceber o contexto do entre guerras e da guerra fria, onde acontecia uma terrível patrulha ideológica tanto da direita como da esquerda autoritária do PC. Aí os setores artísticos e culturais passaram a participar das “barricadas imaginárias” via opiniões, crônicas, peças, poesias e afins....

C) A visão da mulher nos escritos do Charles e do próprio Nelson, mesmo sendo observações do cotidiano da época, ainda predomina um tom machista pra caralho. Isso ninguém tira a minha interpretação das obras deles.

D) Vou trabalhar.

Neander disse...

Porra... falaram tanta coisa que eu fico até com vergonha de escrever algumas duas linhas. Mas enfim, eu gosto de Nelson pelos unicos motivos que já escrevi em meu blog, apesar de achar ele um idiota. Mas talvez ele pagou umas das piores penas que apoiadores do Regime Militar pode pagar: teve um filho barbudo e marxista.

Acho que o Mk tem toda razão quando discute o conceito de revolução. Nelson, que é quem conheço mais, foi sem dúvida revolucionário qto ao teatro em técnica, mas no sentido de temática foi mais um cara aí.

Filipe Ferrari disse...

Tá, tá!

Do Nelson Rodrigues eu abro mão. Agora, do Dalton e do Buk, NEM FODENDO! Hahahahaha!

Putos.

Anônimo disse...

Filipe, o porra do jovem matheus tem a opinião que sou um vira casaca pq passei a criticar o charles, mas tenho fundamento por conta que depois de tempo li boa parte da obra dele. bem, sobre ele vou escrever um texto. um dia, mas não hoje.
abraço
mk